GOVERNO AUTORIZA REAJUSTE DE 12,5% EM REMÉDIOS

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O governo autorizou ontem um reajuste de 12,5% no preço dos remédios. O aumento consta de Resolução da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed), publicada ontem no Diário Oficial da União. Será a primeira vez, em 10 anos, que a alta virá acima da inflação, que teve variação de 10,36% no período de 12 meses até fevereiro.

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A alta da energia elétrica e do dólar nos últimos meses tiveram grande influência no aumento. O presidente executivo do sindicato dos fabricantes, o Sindusfarma, Nélson Mussolini, disse que o reajuste já era previsto. “Tivemos variação do dólar acima de 50% no último ano e 71% de alta da energia elétrica. Além disso, nos últimos 10 anos, a indústria vem sofrendo uma redução na lucratividade, ou seja, o aumento foi necessário”, completa.

Em algumas farmácias, os preços ainda não estão atualizados. De acordo com a farmacêutica Priscilla Pereira, 23, as providências para alertar os consumidores já estão sendo tomadas. “Desde o mês passado estamos ligando para os mais assíduos e indicando que comprem medicamentos de uso contínuo em maior quantidade, pois assim podem escapar do aumento”, conta. Ela diz que a farmácia em que trabalha já está se preparando para melhorar as condições de pagamento. “Descontos já estão sendo analisados. Sabemos que o aumento será grande e muitos clientes vão ter dificuldades de encarar”, lamenta.

A alta poderá atingir cerca de 19 mil apresentações de medicamentos disponíveis no mercado varejista brasileiro, de acordo com determinação da Cmed. A proprietária de farmácia, Luzia Cruzeiro, 47, diz que está preocupada com o reajuste e investe em preparação dos funcionários para não perder consumidores. “A gente tem feito de tudo para que os preços sejam acessíveis e que os clientes se sintam a vontade”, conta.

Promoções

O aposentado José Miranda, 60 anos, conta que a mudança mexerá com o orçamento familiar. “Gasto cerca de R$ 1 mil com medicamentos por mês. Estou assustando com mais este aumento”, pontua.

Segundo Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Proteste Associação de Consumidores, o consumidor pode se proteger pesquisando preços. “É possível obter promoções, descontos e boas formas de pagamento. Para isso o brasileiro precisa dedicar tempo para procurar as farmácias mais em conta”, aconselha. Para ela, é fundamental se inscrever em programas de laboratórios para conseguir melhores valores em medicamentos de uso contínuo.

Correio Braziliense

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