O QUE TÊM EM COMUM AÉCIO NEVES E ROBERTO COSTA?

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Começarei este artigo fazendo uma breve síntese do significado de “Momento”. Segundo o dicionário Aurélio, momento, significa: 1 – Espaço pequeníssimo (mas indeterminado) de tempo. 2 – Curta duração. 3 – Lance, ocasião. 4 – Ocasião oportuna. 5 – Produto de um braço de alavanca pelo peso que se lhe aplica perpendicularmente. 6 – Produto de uma força por uma distância qualquer. 7 – Produto da massa pela quantidade de movimento. Porém, vamos nos ater aos itens 2 e 4 do texto: curta duração e ocasião oportuna.  A bíblia, o livro mais lido de todos os tempos, também faz referências ao tempo, ao momento. Em Eclesiastes, capítulo 3, diz: Tudo tem o seu tempo (momento) determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Detalhe: tempo e momento estão presentes em tudo que fazemos, seja na vida pessoal ou profissional. Sendo assim, na política não seria diferente. O momento é cruel, não perdoa.

Mas, vamos nos ater a política maranhense em especial a de Bacabal. Bete Lago, que não se lembra deste ícone da política de Bacabal? Político carismático sempre defendendo os menos favorecidos, sempre se portou como oposição. Teve vários momentos. O principal em 1982, o seu auge, quando perdeu as eleições municipais para Dona Raimunda Loiola, dai então não conseguiu mais toda a popularidade.

Epitácio Cafeteira. Sempre oposição ao grupo Sarney, em 1986 teve tudo ao seu favor.  Candidato único ao governo do Maranhão, inclusive com o apoio do então presidente José Sarney, a quem combatia veementemente, se elegeu governador. Teve o seu momento e aproveitou. Após isto, ainda tentou em outras duas disputas voltar ao governo, não conseguiu, o seu tempo havia passado.

Outro que aproveitou a garupa selada de Epitácio Cafeteira foi o atual senador João Alberto que foi vice-governador do Maranhão. O curioso e inédito  e que nenhum jurista conseguiu explicar até os dias atuais foi o que aconteceu em abril de 1990, quando João Alberto assumiu o governo do Maranhão após ter sido eleito em 1988 e empossado prefeito de Bacabal em 1989. Após seis meses renunciou o mandato de chefe do executivo municipal, voltando a vice-governadoria do Estado do Maranhão e posteriormente foi governador com a renúncia de Epitácio Cafeteira que foi eleito senador nas eleições de 1990. Aproveitando o seu momento.

Em 1992, o então deputado Clodomir Filho, jovem, muitos ideais, no auge da carreira política foi candidato a prefeito de Bacabal, não se elegeu. Perdeu para Jocimar Alves de Sousa. Depois desapareceu da cidade de Bacabal e da vida pública se tornando advogado.

Outro que esteve no ápice da política local e também apadrinhado do senador João Alberto foi Jura Filho. Vários mandatos de deputado estadual,  chegou a ser vice-governador do Maranhão a até assumir o governo do Estado. Dos seus feitos como homem público o único fato marcante foi tornar a sua mãe inelegível nas eleições municipais  de 2004. Na última eleição municipal tentou reaparecer, não obteve êxito. O seu tempo passou.

José Alberto Veloso, ex-prefeito de Bacabal teve o seu auge em 2012 com a onda  do “vamos varrer, vamos varrer, vamos varrer a sujeira”. Elegeu-se a prefeito. Aproveitou o seu momento, momento este, que passou subitamente.

É preciso saber aproveitar o momento. Assim fez José Vieira Lins, quando em 1992 se elegeu vereador e no mandato legislativo ajudou muitas pessoas, inclusive, com a compra de algumas ambulâncias levando e trazendo doentes para São Luís e Teresina. Em 1996, era o seu momento e contra muitos políticos famosos da época, inclusive contra o governo do Estado foi eleito prefeito de Bacabal, se tornando um político respeitado em todo o Estado do Maranhão, voltando ao cargo em 2016. Aproveitou o momento.

Ah, antes que eu me esqueça, mais um exemplo sobre o momento. Em 2006, aproveitando as oportunidades Graciete Lisboa se tornou deputada estadual, depois não conseguiu mais voltar a cena política. O mesmo aconteceu com o deputado Ceará em 2002.

Se fossemos falar sobre tempo e momento, passaríamos uma década escrevendo, mas, vamos nos ater ao presente político de Bacabal.

Porque da contextualização Roberto Costa e Aécio Neves?

Bem. São dois jovens nomes da política. Um a nível nacional e o outro a nível estadual. Aécio Neves da Cunha, 58 anos é natural de Belo Horizonte e neto do saudoso Tancredo Neves, presidente eleito do Brasil pelo colégio eleitoral em 15 de janeiro de 1985. Porém, não chegou a tomar posse, morrendo em 21 de abril de 1985, assumindo a presidência do Brasil o maranhense José Sarney.

Aécio Neves foi deputado federal por quatro mandatos, chegando a presidente da câmara dos deputados. Em 2002 foi eleito governador de Minas Gerais, sendo reeleito em 2006, renunciou ao cargo em 2010 sendo eleito Senador da república.

José Roberto Costa Santos, ou simplesmente Roberto Costa está em seu segundo mandato como deputado estadual. Roberto Costa trabalhou como Assessor Parlamentar na Assembleia Legislativa do Maranhão e no Senado Federal. Na extinta Gerência Metropolitana, exerceu o cargo de Supervisor de Estruturas Físicas Educacionais. Trabalhou nos Diretórios Estadual e Municipal do PMDB, sempre ao lado do senador João Alberto.

Em 2009, tomou posse como deputado estadual (suplente) e pouco tempo depois foi convidado, pela então governadora Roseana Sarney, a assumir a Secretaria de Esporte e Juventude (SESPJUV).

O que têm em comum Aécio Neves e Roberto Costa?

Como fala o comentarista político José Nêumanne Pinto, vamos direto ao assunto. O primeiro, Aécio Neves, em 2014 quase foi eleito presidente da república onde obteve 51.041.155 ( cinquenta e um milhões, quarenta e um mil e cento e cinquenta e cinco votos), 48,36% dos votos válidos perdendo a corrida presidencial para Dilma Roussef que teve 54.501.118 (cinquenta e quatro milhões, quinhentos e um mil e cento e dezoito mil votos), com 51,64 dos votos válidos. Alguns analistas dizem que Aécio foi na onda do já ganhou, pois contava com o apoio da elite brasileira e era tido, à época, como o salvador da pátria.

Roberto Costa transferiu o domicílio eleitoral para Bacabal e começou a sua campanha. No início ao lado do prefeito José Alberto que o seu grupo ajudou a eleger e depois, abruptamente, começou  a criticar a gestão Veloso, muitos dizem até a mando do seu líder maior João Alberto. Cercado por vários assessores que tinham sequer os seus votos, a exemplo de Aécio, entrou na onda do já ganhou, até porque se preparou para disputar a eleição municipal com José Alberto Veloso que alcançava os piores índices como gestor municipal, sem jamais imaginar ter pela frente a desistência da reeleição de José Alberto e a entrada na disputa de José Vieira Lins.

Roberto Costa obteve na eleição municipal 18.330 (dezoito mil, trezentos e trinta votos), contra 20.671 (vinte mil, seiscentos e setenta e um votos) dados a José Vieira que foi eleito prefeito de Bacabal. Roberto Costa ainda chegou a fazer uma passeata como eleito, mas, viu os seus sonhos se transformarem em pesadelos quando através de uma liminar dada através do ministro Gilmar Mendes, José Vieira Lins tomar posse em 1º de janeiro de 2017, impasse que se arrasta até o momento.

Para finalizar. Aécio Neves cada dia se mete em mais confusão. Não figura mais em nenhuma pesquisa de intenção de votos para a presidência da república, está em final de mandato como senador e dificilmente ocupará  algum cargo eletivo em 2019. O mesmo acontece com Roberto Costa. Final de mandato como deputado estadual. Já  acenou em ser suplente de senador e não colou. Roberto Costa vendo o caldeirão ferver voltou atrás e é novamente candidato a deputado estadual, também com uma reeleição muito difícil, uma vez que dentro do próprio grupo enfrenta uma grande rejeição e muitos daqueles que se diziam aliados já começaram a abandonar o barco e hoje navegam em outras direções, isso tudo, somada a candidatura do vereador Coronel Egídio que para a maioria das pessoas consultadas o apontam como um dos candidatos bem votados em Bacabal nas próximas eleições, onde venceria Roberto Costa.

O  momento de Aécio Neves e Roberto Costa já passou. É o que se fala em todos os senadinhos de Bacabal.

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