ACORDÃO NO MDB: JOÃO MARCELO DEVE ASSUMIR A PRESIDÊNCIA TENDO HILDO ROCHA COMO VICE-PRESIDENTE

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Ribamar Corrêa, Repórter Tempo – Tudo indica que o braço maranhense do MDB encontrou o caminho para superar a crise interna e fazer uma transição sem traumas no comando do partido. Depois de uma série de articulações intestinas, as lideranças emedebistas costuraram um acordo pelo qual o deputado federal João Marcelo será o presidente regional do partido, substituindo ao senador João Alberto, e tendo como vice o deputado federal Hildo Rocha. O martelo ainda não foi batido, mas todos os sinais emitidos informalmente por fontes do partido indicam que os principais caciques emedebistas – incluindo o ex-presidente José Sarney e a ex-governadora Roseana Sarney -, estão de acordo com a fórmula, que apagará o incêndio que vinha devastando as relações internas no MDB. 

A entrega da presidência do MDB ao deputado João Marcelo contempla a ala jovem do partido, que se rebelou contra a substituição do senador João Alberto por uma liderança da “velha guarda”, prestigiando também essa corrente com a entrega da vice-presidência ao deputado federal Hildo Rocha. Com a costura desse acordo, os caciques do MDB acreditam que que a crise partidária, provocada por um “choque de gerações”, estará superada. 

O entendimento dentro do MDB resolve uma série de problemas que o partido vinha enfrentando desde a dura derrota que sofreu nas urnas em 2018. Liderada pelo deputado estadual reeleito Roberto Costa, a nova geração do partido exigiu que o comando lhe fosse entregue, para permitir uma mudança radical na atuação da agremiação. Ocorreu que a ex-governadora Roseana Sarney também pretendia assumir a presidência do MDB maranhense e não convenceu os jovens de que esse seria o caminho mais adequado para tirar o partido da areia movediça em que foi atirado ao ser trucidado nas urnas. A situação ganhou peso e gravidade de impasse, levando as lideranças a realizar uma longa e cuidadosa negociação para resolvê-lo. 

Líder do movimento dos jovens, o deputado Roberto Costa propôs um acordo para entregar o comando do partido a Assis Filho, que é o presidente nacional do MDB Jovem e até o dia 31 de dezembro foi secretário Nacional da Juventude, cargo que lhe deu status de liderança dentro do partido. Só que os chefões do MDB maranhense, e até mesmo alguns jovens ponderaram que, mesmo sendo um quadro importante do partido, Assis Filho não exerce um mandato eletivo e isso reduz drasticamente suas chances de vir a dirigir o partido. Diante desse cenário, Roberto Costa e Hildo Rocha firmaram posições e se posicionaram para disputar o comando partidário em Fevereiro. Seria uma guerra, que poderia de, em vez de unir o partido, sacudi-lo de tal maneira que o MDB poderia sair desse  

irremediavelmente dividido, podendo até mesmo se transformar num partido nanico. Houve até emedebista de peso falando em deixar o partido. 

O acordão que está na fase final de costura muda completamente o cenário de conflito doméstico do MDB, dando ao partido a possibilidade de se recauchutar e se preparar para os embates que se avizinham: as eleições municipais de 2020 e as eleições gerais de 2022. Sociólogo por formação, que nasceu e cresceu respirando política, o deputado federal João Marcelo é um político sério, que defende intransigentemente o grupo a que pertence. Para comandar o MDB, contará com os conselhos do pai, senador João Alberto, uma das mais importantes e bem-sucedidas raposas políticas do Maranhão, que dirige o MDB desde o início da década de 1990 do século o passado. Tem noção clara de que os conflitos internos e as derrotas eleitorais recentes são fruto de um desgaste natural de um grupo que está há muito tempo no poder e cujas lideranças mais experientes esgotaram seus repertórios para atrair o eleitorado. 

Se o acordão for mesmo consumado com João Marcelo na presidência estatual, o deputado estadual Roberto Costa será confirmado na presidência do MDB de Bacabal, enquanto André Campos permanecerá à frente do Diretório de São Luís.
 

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