NOVO CANGAÇO: 86 MORTOS EM 14 BATALHAS ENTRE POLÍCIA E QUADRILHAS

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Levantamento do Portal OP9 mostra que a guerra entre policiais e assaltantes de bancos no Nordeste deixou rastro de quase 90 mortes, sendo 79 suspeitos, seis inocentes e um policial

Pelo menos 79 suspeitos de participação em quadrilhas de assaltos a bancos e carros-fortes morreram em confrontos com forças policiais em cidades do interior do Nordeste desde abril de 2018. Levantamento do Portal OP9 contabilizou 14 ocorrências fatais envolvendo policiais e integrantes do Novo Cangaço, como vem sendo chamado o fenômeno dos grupos criminosos fortemente armados que atacam instituições financeiras.

Dos nove estados do Nordeste, apenas o Rio Grande do Norte não registrou mortes recentes de três ou mais assaltantes de uma só vez em conflitos com policiais. Seis pessoas inocentes e um soldado da PM também foram vítimas fatais da guerra contra os assaltantes.  Do total de mortes, 55 foram registradas em 2018 e 31 em 2019.

De acordo com nota conjunta das polícias militares de Pernambuco e Paraíba, os oito suspeitos mortos na madrugada desta terça-feira (2) em Barra de São Miguel, na Paraíba, integravam um bando armado especializado em investidas a bancos. No dia anterior, quatro integrantes do grupo, segundo a PM, participaram da ação armada contra um mercadinho e contra uma casa lotérica que resultou na morte do policial militar André Silva em Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste Pernambucano.

Antes da investida, a mesma organização já tinha participado de “diversos” assaltos a bancos, incluindo um em Belo Jardim e outro em Santa Cruz do Capibaribe. “Nossa operação se iniciou desde a investida em Santa Cruz do Capibaribe. Os serviços de inteligência da PM monitoravam a quadrilha e, às 3h30 desta madrugada, o restante do grupo, quatro suspeitos em dois carros, chegou ao local para resgatar os demais. Foi quando se iniciou o confronto. Tentou-se a rendição, mas como já é uma prática desse tipo de criminosos, eles atentaram contra a vida dos policiais. Socorremos feridos para uma unidade de pronto atendimento, mas não resistiram. Eram bandidos extremamente perigosos”, afirmou o tenente-coronel Lúcio Flávio de Campos, comandante do 24° Batalhão da PM.

Os corpos de seis homens e duas mulheres foram empilhados na caçamba de uma picape e levados pelos policiais até a UPA de Santa Cruz do Capibaribe. No caminho até a unidade de saúde, a população aplaudiu o comboio com os cadáveres enquanto os PMs respondiam acenando para os moradores. Em tom de desabafo, o comandante do 24º Batalhão chegou a discursar e foi bastante aplaudido. Ele disse que os criminosos reagiram à abordagem e que foram socorridos pelos policiais. Os corpos foram levados ao IML de Caruaru na tarde desta terça-feira (2).

A estratégia policial de atirar para matar vem dando resultados geralmente comemorados pelos secretários de Defesa Social do Nordeste. Também não é a primeira vez que os corpos dos suspeitos são empilhados em caçambas de veículos. Bastante descentralizadas e fortemente armadas, as quadrilhas de assaltos a bancos não costumam atuar no estado de origem, o que dificulta o trabalho de investigação.

Mortes em conflitos entre quadrilhas e policiais no Nordeste em 2019:

1- Arapiraca (Alagoas)
Quatro suspeitos foram mortos durante confronto com a Polícia Militar na madrugada do dia 24 de fevereiro após ação criminosa na agência dos Correios no município de Arapiraca, em Alagoas. Eles são suspeitos de integrar uma quadrilha de roubo a banco em Mato Grosso com atuação em outros estados.

2- Lauro de Freitas (Bahia)

Três suspeitos de fazer parte da quadrilha que atacou a agência do Banco do Brasil de Barreiras, na Bahia, foram mortos na tarde do dia 13 de maio em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador. A PM baiana informou que os suspeitos estavam em uma pousada e reagiram quando foram baleados.

3- Cocal (Piauí)

Nove suspeitos foram mortos na manhã do dia 5 de maio, em Cocal, localidade no Norte do Piauí. Os assaltantes fariam parte de uma quadrilha de roubos a bancos de Minas Gerais. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Piauí, eles foram mortos após reagirem à prisão.

4 – Lagarto (Sergipe)

Seis integrantes da organização criminosa teriam reagido à prisão e foram mortos em confronto com a Polícia. Segundo investigação, eles pretendiam explodir as agências bancárias do município de Simão Dias.

5- Santa Cruz do Capibaribe (Pernambuco)/ Barra de São Miguel (Paraíba)

Um policial militar e oito suspeitos morreram durante uma ação de uma quadrilha de assaltos a bancos no Agreste de Pernambuco no dia 1º de julho. Após parte da quadrilha matar um soldado da PM, oito integrantes do grupo foram mortos pela PM em Barra de São Miguel, na Paraíba.

Desafio da polícia contra o novo cangaço é evitar a morte de reféns

Em oito casos levantados pelo OP9 em cinco estados nordestinos, 41 assaltantes morreram em confrontos com forças de segurança, sem contar os seis desta sexta-feira em Milagres (CE)

O Nordeste vive uma escalada de confrontos entre as polícias estaduais e os assaltantes de bancos. Ao mesmo tempo em que cidades – geralmente do interior – são alvos de ataques de quadrilhas organizadas e fortemente armadas, a inteligência das forças de segurança tenta se antecipar às ações e liquidar os grupos do denominado “Novo Cangaço”.

A estratégia policial de atirar para matar vem dando resultados geralmente comemorados pelos secretários de defesa social da região. De abril a dezembro, em oito confrontos levantados pelo portal OP9, 41 assaltantes foram mortos antes, durante e após explosões de bancos e saques a carros-fortes em cinco estados.

O número não leva em conta os seis bandidos mortos na madrugada desta sexta-feira (7) em Milagres, no Ceará. A ocorrência de seis óbitos de reféns – cinco da mesma família – apresenta mais um desafio nesta guerra. Como evitar estes “danos colaterais” (termo frequentemente utilizado nos meios militares para definir a destruição de alvos civis)?

O secretário de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará, André Costa, informou que dois bandidos detidos em Milagres disseram que partiram deles os disparos que causaram a morte do empresário João Batista Magalhães, 46, que tinha ido buscar familiares que desembarcaram no aeroporto de Juazeiro do Norte vindos de São Paulo. Além de Magalhães, morreram o filho dele, Vinicius, 14, a cunhada, o marido dela e o filho do casal, de 10 anos. Um morador de Brejo Santo, rendido na estrada, foi o sexto refém morto.

“É uma informação preliminar que ainda vamos investigar. O momento é de sermos responsáveis, não fazermos prejulgamento e aguardarmos a conclusão das apurações”, acrescentou Costa. Identificar agora a presença de reféns entre os assaltantes de bancos vai exigir ainda mais monitoramento dos grupos criminosos.

Integração das forças de segurança

O secretário cearense destacou a importância da integração entre as forças de segurança dos estados do Nordeste. “Há quadrilhas que atuam em vários estados, principalmente da região Nordeste. O que aconteceu hoje reforça a necessidade da instalação de um centro regional de inteligência para termos informações em tempo real, fornecidas pelos serviços de inteligência dos nove estados.”

Em alguns confrontos, os assaltantes foram mortos em estados diferentes das investidas a bancos e carros-fortes. Foi o que aconteceu no dia 8 de novembro, quando dois homens morreram em Lagoa Grande (PE) suspeitos de explodir agência bancária em Pindobaçu (BA). No mesmo dia, em Santana do Ipanema (AL), 11 bandidos foram mortos um dia depois de terem atacado o Bradesco de Águas Belas (PE).

De acordo com André Costa, equipes especializadas da Polícia Militar (PM) cearense já estavam realizando diligências na região, justamente para tentar identificar e prender assaltantes a bancos que atuam no estado. Daí a ação rápida contra os criminosos em Milagres.  (Fonte:OP9).

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