APÓS CINCO MESES EM QUEDA, TAXA DE TRANSMISSÃO DA COVID-19 VOLTA A SUBIR EM SÃO LUÍS

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Constatação é de médico epidemiologista da UFMA. A capital maranhense registra até o momento 23.953 casos confirmados da doença causada pelo novo coronavírus.

São Luís voltou a registrar crescimento na taxa de transmissão da Covid-19. É o que diz o professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e médico epidemiologista, Antônio Augusto Moura Silva. A taxa de transmissão é um cálculo que diz o quanto a doença tem se espalhado entre as pessoas.

“Estávamos há quase cinco meses com queda persistente da transmissão, que voltou a subir. A taxa de transmissão do coronavírus em São Luís estava em 1,2 no dia 11 de novembro. Ou seja, dez pessoas transmitem a doença para outras 12 pessoas”, afirmou o médico epidemiologista.

Segundo o boletim divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde do Maranhão (SES), São Luís já contabiliza 23.953 casos confirmados e 1.259 óbitos por Covid-19.

O professor afirma que esse aumento de casos ainda não se refletiu no aumento dos óbitos, mas se a doença continuar nessa progressão os óbitos vão começar a aumentar em alguns dias.

“Não dá para dizer se estamos diante de uma segunda onda ou se estamos diante de um aumento da transmissão menor, de um repique ainda na primeira onda”, pontuou Antônio.

inquérito sorológico mostrou que 38% dos maranhenses desenvolveram anticorpos para o novo coronavírus. Há menos pessoas vulneráveis na população agora do que no início da pandemia. Isso tende a diminuir o avanço da transmissão.

“Estamos observando há 6 semanas aumento do número de internações em São Luís pela SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave). Essa síndrome inclui casos de COVID-19 que apresentam pneumonia e falta de ar que levam à hospitalização. Este aumento está ocorrendo principalmente nos hospitais privados e tem sido progressivo, ou seja, a cada semana estão sendo internados mais casos”, disse o professor.

No Boletim Epidemiológico é possível perceber o aumento dos casos mas a taxa de ocupação de UTI permanece baixa. Segundo o médico, a não divulgação dos dados da taxa de ocupação dos hospitais privados no boletim, faz com que se tenha apenas uma visão parcial da situação, assim só é possível monitorar 80% da população que usam o SUS.

De acordo com o mapeamento da Covid-19 feito pela SES, as regiões consideradas “nobres” na capital, são as que registram maior quantidade de pessoas infectadas. Os bairros Turu e Renascença lideram essa estatística e juntos somam 1.063 casos da doença. Em seguida vem os bairros, Cohatrac I, II, III, IV, Primavera-Cohatrac e Centro que contabilizam um total de 709 casos.

AS REGIÕES CONSIDERADAS “NOBRES” NA CAPITAL, SÃO AS QUE REGISTRAM MAIOR QUANTIDADE DE PESSOAS INFECTADAS. — FOTO: DIVULGAÇÃO/SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DO MARANHÃO

Ainda segundo o médico epidemiologista, o uso de máscaras pela população maranhense caiu de 65% em maio para 42% no final de outubro e muitas pessoas voltaram a se aglomerar, o que favorece o aumento da transmissão.

“Não temos como prever o que vai acontecer pois o futuro vai depender do comportamento das pessoas e das respostas governamentais. Aconselhamos que as pessoas redobrem os cuidados. A pandemia não acabou tinha diminuído mas agora voltou a aumentar. Idosos e pessoas com comorbidades devem continuar em casa e só saírem em casos de extrema necessidade se possível. Saindo de casa todos devem usar máscaras e manter distanciamento de pelo menos 1,5 metro e sempre lavar as mãos”, finalizou Antônio Augusto Moura.(G1MA).

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